Invasão de palmeira australiana no sub-bosque de uma floresta plantada, Viçosa, MG

Lucas Siqueira Cardinelli, Rúbia Santos Fonseca, Sebastião Venâncio Martins

Resumo


O objetivo desse trabalho foi avaliar a regeneração natural e a abundância de espécies exóticas no sub-bosque de um plantio experimental de Araucaria angustifolia, em Viçosa, MG. A amostra correspondeu a 40 parcelas de 2 m x 2 m, onde mediu-se o diâmetro ao nível do solo (DNS) de todos os indivíduos arbustivo-arbóreos com diâmetro ≤ a 5,0 cm e altura ≥ a 0,5 m. Foram calculados os parâmetros fitossociológicos e os índices de diversidade e equabilidade. As espécies foram classificadas quanto à forma de vida, classe sucessional e síndrome de dispersão. Foram amostrados 980 indivíduos, sendo observada maior proporção de espécies arbustivas, típicas de sub-bosque e zoocóricas. A espécie exótica Archontophoenix cunninghamiana, conhecida como palmeira australiana, obteve o terceiro maior valor de importância, a maior dominância e 19,25% da área basal total, valor consideravelmente maior que o das demais espécies. A. cunninghamiana foi caracterizada como uma espécie exótica invasora que domina o estrato de regeneração natural. A inibição da sucessão natural pela presença de espécies exóticas, como A. cunninghamiana, precisa ser monitorada, visando eliminar as espécies-problema, para garantir a continuidade do processo de sucessão.


Palavras-chave


Espécies exóticas invasoras; Regeneração da floresta; Araucaria angustifolia

Texto completo:

PDF

Referências


Alvares, C. A. et al. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, v. 22, n. 6, p. 711–728, 2013. DOI: 10.1127/0941-2948/2013/0507.

The Angiosperm Phylogeny Group. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG IV. Botanical Journal of the Linnean Society, v. 181, n. 1, p. 1-20, 2016. DOI: 10.1111/boj.12385.

Beckert, S. M. et al. Crescimento e dinâmica de Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze. em fragmento de Floresta Ombrófila Mista. Scientia Forestalis, v. 42, n. 102, p. 209–218, 2014.

Callegaro, R. M. et al. Potencial de três plantações florestais homogêneas como facilitadoras da regeneração natural de espécies arbustivo-arbóreas. Scientia Forestalis, v. 41, n. 99, p. 331–341, 2013.

Camargos, V. L. et al. Avaliação do impacto do fogo no estrato de regeneração em um trecho de Floresta Estacional Semidecidual em Viçosa, MG. Revista Árvore, v. 34, n. 6, p. 1055-1063, 2010. DOI: 10.1590/S0100-67622010000600011.

Carvalho, P. E. R. Espécies florestais brasileiras: recomendações silviculturais, potencialidades e uso da madeira. Colombo: EMBRAPA-CNPF; Brasília, DF: EMBRAPA-SPI, 1994. 639 p.

Cavalheiro, C. N. et al. Distribuição de Piper gaudichaudianum Kuntze (Piperaceae) e efeito de borda em fragmento florestal do Jardim Botânico de Lajedo (JBL), Rio Grande do Sul. Revista Destaques Acadêmicos, v. 5, n. 3, p. 131–139, 2013.

Christianini, A. V. Fecundidade, dispersão e predação de sementes de Archontophoenix cunninghamiana H. Wendl. & Drude, uma palmeira invasora da Mata Atlântica. Revista Brasileira de Botânica, v. 29, n. 4, p. 587–594, 2006. DOI: 10.1590/S0100-84042006000400008.

Connell, J. H. & Slatyer, R. O. Mechanisms of succession in natural communities and their role in community stability and organization. The American Naturalist, v. 111, p. 1119–1144, 1977.

Denslow, J. S. & Dewalt, S. J. Exotic plant invasions in tropical forests: patterns and hypotheses. In: Carson, W. P. & Schnitzer, S. A. (Ed.). Tropical forest community ecology. Chichester: Wiley-Blackwell, 2008. p. 409-426.

Dislich, R. et al. A invasão de um fragmento florestal em São Paulo (SP) pela palmeira australiana Archontophoenix cunninghamiana H. Wendl. & Drude. Revista Brasileira de Botânica, v. 25, n. 1, p. 55–64, 2002. DOI: 10.1590/S0100-84042002000100008.

Durigan, G. & Engel, V. L. Restauração de ecossistemas no Brasil: onde estamos e para onde podemos ir? In: Martins, S. V. (Ed.). Restauração ecológica de ecossistemas degradados. Viçosa, MG: Ed. da UFV, 2012. p. 41–68.

Eisenlohr, P. V. et al. Flora fanerogâmica do campus da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Minas Gerais. Ceres, v. 55, n. 4, p. 317-326, 2008.

Ferreira-Junior, W. G. et al. Influence of soils and topographic gradients on tree species distribution in a Brazilian Atlantic Tropical Semideciduous Forest. Edinburgh Journal of Botany, v. 64, n. 2, p. 137–157, 2007.

Font Quer, P. & Sierra Ràfols, E. Diccionario de botánica. Barcelona: Labor, 1979. 1280 p.

Gandolfi, S. et al. Levantamento florístico e caráter sucessional das espécies arbustivo-arbóreas de uma floresta mesófila semidecídua no município de Guarulhos, SP. Revista Brasileira de Biologia, v. 55, n. 4, p. 753–767, 1995.

IBGE. Manual técnico da vegetação brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro, 2012. 275 p.

Isernhagen, I. et al. Diagnóstico ambiental das áreas a serem restauradas visando a definição de metodologias de restauração florestal. In: Rodrigues, R. R. et al. Pacto pela restauração da Mata Atlântica: referencial dos conceitos e ações de restauração florestal. São Paulo: LERF/ESALQ: Instituto BioAtlântica, 2009. p. 87-126.

Jordano, P. et al. Ligando frugivoria e dispersão de sementes à biologia da conservação. In: Rocha, C. F. D. da et al. (Ed.). Biologia da conservação: essências. São Carlos: RIMA, 2006. p. 411–436.

Longhi, S. J. et al. Fatores ecológicos determinantes na ocorrência de Araucaria angustifolia e Podocarpus lambertii, na Floresta Ombrófila Mista da FLONA de São Francisco de Paula, RS, Brasil. Ciência Rural, v. 40, n. 01, p. 57–63, 2010. DOI: 10.1590/S0103-84782009005000220.

Magurran, A. E. Medindo a diversidade biológica. Curitiba: Ed. da UFPR, 2011. 262 p.

Marangon, L. C. et al. Regeneração natural em um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual em Viçosa, Minas Gerais. Revista Árvore, v. 32, p. 183-191, 2008. DOI: 10.1590/S0100-67622008000100020.

Martin, P. H. et al. Why forests appear resistant to exotic plant invasions: Intentional introductions, stand dynamics, and the role of shade tolerance. Frontiers in Ecology and the Environment, v. 7, n. 3, p. 142–149, 2009. DOI: 10.1890/070096.

Meira-Neto, J. A. A. & Martins, F. R. Estrutura do sub-bosque herbáceo-arbustivo da mata da silvicultura, uma floresta estacional semidecidual no município de Viçosa-MG. Revista Árvore, v. 27, n. 4, p. 459–471, 2003.

Melo, A. C. G. et al. Atributos de espécies arbóreas e a facilitação da regeneração natural em plantio homogêneo de mata ciliar. Scientia Forestalis, v. 43, n. 106, p. 333-344, 2015.

Miranda Neto, A. et al. Estrato de regeneração natural de uma floresta restaurada com 40 anos. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 32, n. 72, p. 409–420, 2012. DOI: 10.4336/2012.pfb.32.72.409.

Moro, F. M. B. & Martins, F. R. Métodos de levantamento do componente arbóreo-arbustivo. In: Felfili, J. M. et al. (Ed.). Fitossociologia no Brasil: métodos e estudos de casos. Viçosa, MG: Ed. da UFV, 2011. p. 174–208.

Müller-Dombois, D. & Ellemberg, H. Aims and methods of vegetation ecology. Nova York: John Wiley & Sons, 1974. 547 p.

Oliveira‐Filho, A. & Fontes, M. Patterns of floristic differentiation among Atlantic Forests in Southeastern Brazil and the influence of climate. Biotropica, v. 32, n. 4b, p. 793–810, 2000. DOI: 10.1111/j.1744-7429.2000.tb00619.x.

Onofre, F. F. et al. Regeneração natural de espécies da Mata Atlântica em sub-bosque de Eucalyptus saligna Smith. em uma antiga unidade de produção forestal no Parque das Neblinas, Bertioga, SP. Scientia Forestalis, v. 38, n. 85, p. 39–52, 2010.

Paiva, H. N. et al. Cultivo do eucalipto: implantação e manejo. Viçosa, MG: Aprenda Fácil, 2011. 353 p.

Parker, I. M. et al. Impact: toward a framework for understanding the ecological effects of invaders. Biological Invasions, v. 1, p. 3–19, 1999.

Pielou, E. C. Ecological diversity. New York: Jonhon Willey, 1975. 165 p.

Pijl, L. van der. Principles of dispersal in higher plants. 3nd. ed. New York: Springer-Verlag, 1982. 161 p.

Ramos, N. C. et al. Environmental filtering of agroforestry systems reduces the risk of biological invasion. Agroforestry Systems, v. 89, n. 2, p. 279–289, 2014. DOI: 10.1007/s10457-014-9765-7.

Reflora. Lista de espécies da flora do Brasil. Disponível em: . Acesso em: 1 abr. 2016.

Ribeiro, T. M. et al. Restauração florestal com Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze no Parque Estadual de Campos do Jordão, SP: efeito do fogo na estrutura do componente arbustivo-arbóreo. Scientia Forestalis, v. 40, n. 94, p. 279–290, 2012.

Richardson, D. M. & Wilgen, B. W. van. Invasive alien plants in South Africa: how well do we understand the ecological impacts? South African Journal of Science, v. 100, n. 1, p. 45–52, 2004.

Silva Júnior, W. M. et al. Regeneração natural de espécies arbustivo-arbóreas em dois trechos de uma Floresta Estacional Semidecidual, Viçosa, MG. Scientia Forestalis, n. 66, p. 169–179, 2004.

Souza, P. B. et al. Florística e estrutura da vegetação arbustivo-arbórea do sub-bosque de um povoamento de Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden em Viçosa, MG, Brasil. Revista Árvore, v. 31, n. 3, p. 533–543, 2007. DOI: 10.1590/S0100-67622007000300019.

Thompson, I. D. et al. An operational framework for defining and monitoring forest degradation. Ecology and Society, v. 18, n. 2, 2013. DOI: 10.5751/ES-05443-180220.

Wilcove, D. S. et al. Quantifying threats to imperiled species in the United States. BioScience, v. 48, n. 8, p. 607–615, 1998. DOI: 10.2307/1313420.




DOI: http://dx.doi.org/10.4336/2017.pfb.37.91.1177

Direitos autorais 2017

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Sem derivações 4.0 Internacional.

INDEXADORES:

ASP / Ebsco, AGRIS, Agrobase / Binagre , BDPA, CABI Direct, CCN, CIRS, Diadorim , DOAJ, e.journals, Forestry Compendium, Genamics JournalSeek, Google Acadêmico, Journals for free, Latindex, Livre, Miar, OasisbrPortal da Capes, RCAAP, Road, Sabiia, Scilit, Redib

.

Pesquisa Florestal Brasileira
Brazilian Journal of Forestry Research

 

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional